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O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei, e a minha necessidade de ler contemporâneas

 



A maioria dos meus amigos sabe que eu não sou uma ótima leitora no que diz respeito à poesia. Estou acostumada a aconchegar-me bastante na prosa, não há como negar. Porém, desde que conheci Sophia de Mello Breyner Andressen, poetisa portuguesa que costumeiramente cito, senti que uma nova porta se abriu dentro de mim: comecei a ler mais mulheres. 

Tudo bem, devo admitir que também cultivei uma queda por Clarice Lispector durante grande parte da minha graduação. Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres ainda é um livro que me arrepia bastante. Ainda consigo me lembrar da primeira vez que li e como o trecho dos "apesar de" me foi marcante à época. Enfim, é um fato que a literatura, como um todo, embora contenha mulheres de grande importância, como Emily Dickinson, as irmãs Bronte – falo destas porque leio muito mais os livros antigos e clássicos do que contemporâneos –, é bastante marcada pela presença de uma maioria de homens – problema cultural que ainda há de reverberar por muito tempo.

Importo-me bastante com a minha formação contínua e, como consequência, com o que consumo nas redes sociais, em filmes etc, mas percebi que nunca foi uma preocupação muito grande o fato de eu quase não ler livros escritos por mulheres, embora eu tenha várias colegas de curso que conversem sobre isso comigo. Na universidade, li muito do cânone e muito pouco dos contemporâneos e também desenvolvi um apreço maior pelos clássicos. Isso não é ruim, mas considero um erro permanecer com os olhos sempre no passado. Tenho tomado consciência disso aos poucos, enfim. Nós estamos sempre aprendendo.


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Conheci a Aline Bei por causa do livro O Peso do Pássaro Morto, que estava disponível pela minha assinatura da Amazon Prime. Comentei sobre isso, também, neste post no meu Instagram. 

A Aline tem uma escrita que, ao mesmo tempo que é leve, também é como uma faca perfurando os lugares mais íntimos do nosso coração. Escrita melancólica, um livro inteiro narrado em versos e a sensação que eu tive ao ler é que tinha um pedaço meu ali no papel, mesmo que eu nunca tenha vivido aquela história. A verdade é que a dor de uma mulher, de alguma forma, acaba sempre reverberando um pouco nas outras mulheres, como se todas nós estivéssemos conectadas por algum sofrimento em comum, que eu não sei bem dizer qual é. Talvez seja só o peso da existência de ser mulher em um mundo hostil. Confesso que não sei, eu ainda estou procurando entender, por isso há em mim esta recém-descoberta necessidade de ler mulheres, mas mulheres contemporâneas.

Logo depois que li a Aline, também li A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro, da poetisa norteamericana Amanda Lovelace. A princípio, não sabia bem o que esperar do livro, sei que a escrita dela remete bastante à da Rupi Kaur. Foi uma surpresa boa, pois, sim, esse mundo é um mundo novo para mim, porque, embora a universidade tenha me proporcionado muito conhecimento, ainda não é comum que estudemos tanto assim a literatura contemporânea, com essa linguagem jovem, produzida por mulheres. Como eu disse, problema cultural que ainda há de reverberar por muito tempo. Eu ainda tenho muito a aprender, mas alegro-me por saber que já estou trilhando este caminho.

com amor, 
Talita.

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