16 de out. de 2020

O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei, e a minha necessidade de ler contemporâneas

 



A maioria dos meus amigos sabe que eu não sou uma ótima leitora no que diz respeito à poesia. Estou acostumada a aconchegar-me bastante na prosa, não há como negar. Porém, desde que conheci Sophia de Mello Breyner Andressen, poetisa portuguesa que costumeiramente cito, senti que uma nova porta se abriu dentro de mim: comecei a ler mais mulheres. 

Tudo bem, devo admitir que também cultivei uma queda por Clarice Lispector durante grande parte da minha graduação. Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres ainda é um livro que me arrepia bastante. Ainda consigo me lembrar da primeira vez que li e como o trecho dos "apesar de" me foi marcante à época. Enfim, é um fato que a literatura, como um todo, embora contenha mulheres de grande importância, como Emily Dickinson, as irmãs Bronte – falo destas porque leio muito mais os livros antigos e clássicos do que contemporâneos –, é bastante marcada pela presença de uma maioria de homens – problema cultural que ainda há de reverberar por muito tempo.

Importo-me bastante com a minha formação contínua e, como consequência, com o que consumo nas redes sociais, em filmes etc, mas percebi que nunca foi uma preocupação muito grande o fato de eu quase não ler livros escritos por mulheres, embora eu tenha várias colegas de curso que conversem sobre isso comigo. Na universidade, li muito do cânone e muito pouco dos contemporâneos e também desenvolvi um apreço maior pelos clássicos. Isso não é ruim, mas considero um erro permanecer com os olhos sempre no passado. Tenho tomado consciência disso aos poucos, enfim. Nós estamos sempre aprendendo.


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Conheci a Aline Bei por causa do livro O Peso do Pássaro Morto, que estava disponível pela minha assinatura da Amazon Prime. Comentei sobre isso, também, neste post no meu Instagram. 

A Aline tem uma escrita que, ao mesmo tempo que é leve, também é como uma faca perfurando os lugares mais íntimos do nosso coração. Escrita melancólica, um livro inteiro narrado em versos e a sensação que eu tive ao ler é que tinha um pedaço meu ali no papel, mesmo que eu nunca tenha vivido aquela história. A verdade é que a dor de uma mulher, de alguma forma, acaba sempre reverberando um pouco nas outras mulheres, como se todas nós estivéssemos conectadas por algum sofrimento em comum, que eu não sei bem dizer qual é. Talvez seja só o peso da existência de ser mulher em um mundo hostil. Confesso que não sei, eu ainda estou procurando entender, por isso há em mim esta recém-descoberta necessidade de ler mulheres, mas mulheres contemporâneas.

Logo depois que li a Aline, também li A Princesa Salva a Si Mesma Neste Livro, da poetisa norteamericana Amanda Lovelace. A princípio, não sabia bem o que esperar do livro, sei que a escrita dela remete bastante à da Rupi Kaur. Foi uma surpresa boa, pois, sim, esse mundo é um mundo novo para mim, porque, embora a universidade tenha me proporcionado muito conhecimento, ainda não é comum que estudemos tanto assim a literatura contemporânea, com essa linguagem jovem, produzida por mulheres. Como eu disse, problema cultural que ainda há de reverberar por muito tempo. Eu ainda tenho muito a aprender, mas alegro-me por saber que já estou trilhando este caminho.

com amor, 
Talita.

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10 de set. de 2020

conexão VS. números

 


Eu escrevi no meu Instagram o seguinte texto

Há um bom tempo, isso tem se tornado cada vez mais claro pra mim. Depois de ter excluído o meu antigo Instagram, tive mais certeza ainda. O número de pessoas que engajavam comigo tendo quase 1000 seguidores é praticamente o mesmo que interage nesse perfil com menos de 200. As visualizações no stories? Quase a mesma coisa. Uma surpresa pra mim. Há algum tempo, muitas marcas grandes têm feito parcerias com criadores de conteúdo que têm menos seguidores, mas que tem mais conexão com o público. Crie conexões reais antes de pensar em números. Pense nos seus seguidores como um relacionamento, não como um público, porque você não é o centro das atenções, é só mais um no mar do algoritmo.

Vou esmiuçar um pouco mais sobre isso aqui, já que o espaço nos permite. 

Tenho visto, nesses meus muitos anos de Instagram, um número enorme de pessoas desesperadas para ganhar seguidores. Quando digo "desesperadas", é desesperadas mesmo. Eu já fui essa pessoa. Hoje em dia, estou muito mais interessada em interação, em conexão, porque eu gosto de sentir que pertenço ao ambiente que estou. Não era o caso do meu antigo perfil, porque eu tinha quase mil seguidores, mas eles nem interagiam comigo e eu também já não me sentia bem por seguir tantas pessoas que fizeram parte de uma parte completamente diferente da minha vida. 

Ter clareza sobre o que eu gosto, resultado de muitos processos de autoconhecimento, me ajudou bastante a entender que eu não uso redes sociais para acompanhar a vida de 300, 400 pessoas indiretamente, mas que, pra mim, menos é mais, porque o minimalismo é, sim, algo de muita importância na minha vida. 

Cada dia mais, minha vontade é de criar mais conexões, não mero seguidores. Sigo no processo.

Com amor,
Talita. 



31 de mai. de 2020

Leituras de Maio



Desde o detox de redes sociais que fiz no início do mês, a minha carga de leitura aumentou consideravelmente. Logo, acho válido compartilhar o que li. A minha meta de leitura são 4 livros por mês, mas, antes que você pense que eu sou uma devoradora de livros, na verdade a técnica é saber organizar. Eu uso uma planilha para fazer isso e vou disponibilizar uma versão similar a ela depois. Por enquanto, detenhamo-nos apenas às leituras do mês de maio.




Foi o primeiro livro que eu li, em cerca de duas horas e meia. É um livreto, na verdade, de tão pequeno, é um livro cristão e foi uma leitura realmente bem leve, mas que me questionou vários hábitos. 

A linguagem é bem simples e objetiva e eu parece que eu sinto a pressa no ritmo de escrita do autor, que é, de fato, um homem super ocupado. Caiu como uma luva no momento do detox.



A Antígona é uma tragédia grega que possui outras versões, mas a mais famosa é a do Sófocles. Eu li porque faço parte de um grupo de filosofia e por lá decidimos que nossas leituras seriam de filosofia e também de literatura. Como estamos na Grécia Antiga, julgamos necessário ler algo do período para, inclusive, contextualizar muitos dos escritos, pensamentos e críticas dos filósofos daquela época. 


É um livro importante para quem estuda direito, por causa da questão do direito natural e do direito positivo, e também para quem gosta de estudar filosofia e literatura. 


Ainda como parte da leitura do grupo de filosofia. Antes de ler a Antígona, lemos Apologia de Sócrates, que é um dos diálogos em que se retrata a morte de Sócrates. Ao todo, se não me engano, são 4 diálogos de Platão sobre o acontecimento. 

Não iniciei a leitura em maio, mas em março. No entanto, incluirei como leitura de maio porque li mais de 50% dele em maio. Além disso, é um obra muito grande e eu gosto de ler bem devagar mesmo, para digerir direitinho. 

Sem sombra de dúvidas, foi a leitura mais importante que fiz nos últimos dois anos. Ainda estou processando tudo relacionado a este livre e, inclusive, já pedi minha versão física, pois tinha lido no Kindle. Também estou escrevendo uma resenha sobre ele, lá no meu Medium.


Ano passado eu ganhei a coleção completa da Folha de grandes mestres da pintura mundial. Coloquei como meta, este ano, ler pelo menos um livro por mês. São bem pequenos e, claro, cheio de pinturas com as devidas explicações. Tem sido muito legal mergulhar nesse mundo da pintura de forma leve, pois sou ainda bastante leiga no assunto e esse estudo-leitura tem me deixado muito feliz.


Para finalizar, quero deixar registrado que comecei outras leituras, mas, como fiquei doente — tive dengue e fiquei quase duas semanas bem mal —, acabei ficando alguns dias sem ler nada. Felizmente, consegui bater a meta de ler pelo menos 4 livros no mês, aliás, foram 5! Fico realmente feliz desse feito.

O que você tem lido? Me conta nos comentários ou escreve pra mim no e-mail talitnrs@gmail.com

Cordialmente,
T.

20 de mai. de 2020

Fiz um detox de redes sociais: o que eu aprendi?



Durante a quarentena, eu decidi fazer um detox de redes sociais por 5 dias. Neste post, vou contar pra vocês por que decidi fazer um detoxcomo foi o processo e meus aprendizados e o que eu espero de mim daqui pra frente.


Por que eu decidi fazer um detox? 

Um dia desses, num sábado, decidi sair de casa sem o meu celular. O trajeto seria bem simples, apesar de eu precisar pegar um ônibus. Não tinha muito mistério. Então, embarquei no ônibus, fui a uma consulta e... no meio do caminho decidi que eu queria ir ao cinema ver Coringa, já que todo mundo tinha visto e eu não e o shopping era ao lado da clínica. Tudo bem. Dei um jeito de avisar a minha mãe que demoraria chegar em casa porque veria um filme. Saí da consulta às 10h, horário que o shopping abre, e achei que o cinema também abriria no mesmo horário. Engano meu. Ele só abriria às 12h. Logo, restavam-me duas horas para passear pelo shopping. Confesso, foi realmente estranho estar seu o meu celular. Foi aí que percebi o quanto sou viciada nele, e isso é algum muito ruim.

Ver o filme foi ótimo e comer na praça de alimentação sozinha e sem celular foi quase um experimento social. Voltei pra casa e, no ônibus, encontrei um conhecido. Não me recordo do nome dele, mas sei da história de vida, dos dois filhos que ele tem e não deu pra mostrar algumas fotos das coisas que eu contei a ele, mas foi uma conversa muito boa que durou o caminho quase todo. Cheguei em casa às 15h com a sensação de ter vivido um dia inteiro em apenas 6 horas. E eu gostei disso. Esse foi a primeira semente que me levou à semana do detox de redes sociais.

Neste texto, publicado no meu Medium, eu falei sobre como o uso de redes sociais é, por vezes, um fardo pra mim. Em resumo, vivemos uma era hiperconectada e isso traz consequências boas e ruins. No entanto, se esse uso é desenfreado, ele pode se tornar problemático. Nós temos uma infinidade de plataformas sociais, e isso não é ruim, mas, com o excesso, sim. Simplesmente não tem como acompanharmos a vida de 400 (ou mais!) pessoas no Instagram e achar que é saudável saber tanto assim da vida alheia.

Eu não poderia ser hipócrita e dizer que não gosto da plataforma. Sem dúvidas, é minha rede social preferida, porque é uma mistura de Pinterest (opção salvar e criar pastas), com YouTube (IGTV) e blog (fotos com legendas longas), além, claro, de termos stories. Logo, o Instagarm acaba sendo uma plataforma bastante completa. O que me incomoda, porém, é que, antes, se seguíamos ativamente, sei lá, uns 20 ou 30 blogs e uns 15 canais no YouTubejá isso era muita coisa. Hoje em dia, de uma perspectiva geral, por lá nós seguimos tantas contas (pessoas e profissionais) que acaba ficando difícil lidar com tanta informação rápida. Esse não é o meu ritmo. É um fato que nem sempre as coisas que mais gostamos são exatamente as melhores e mais saudáveis para a nossa vida e, por isso, esse detox foi necessário.

Também fiquei sem o WhatsApp. Nesse caso, porque ele me causa estresse, ainda mais nessa quarentena. Pra mim, não há mais diferença entre trabalho e vida pessoal naquele aplicativo. Eu acho um pouco absurdo que pessoas mandem mensagens em grupos de trabalho no domingo 22h. Claro, se for algo pontual, tudo bem, acontece. A vida é cheia de exceções e, sim, é preciso apagar incêndios de vez em quando. O problema é que parece toda hora tem incêndio no WhatApp e eu não quero viver a minha vida apagando incêndios, sobretudo em horário que não é o de trabalho. Já há leis sobre o assunto, pois todos nós temos o direito de se desconectar do trabalho. Você pode ler um pouco mais sobre isso aqui e aqui.

Portanto, a decisão de fazer um detox foi muita necessária para que eu pudesse frear o meu ritmo, a princípio, e também me conectar mais comigo e com as coisas ao meu redor em vez do mundo virtual, já que, com a quarentena e afastada dos meus amigos e do meu trabalho, o meu screentime aumentou consideravalmente.

Como foi o processo?

O primeiro dia foi tranquilo. Senti falta de falar com alguns amigos, mas nada muito além do que já estou acostumada devido à quarentena. Esse dia inicial foi bem realmente leve e interessante. No fim da tarde, eu escrevi um e-mail para um amigo que já passou por uma experiência similar. Ele, na verdade, ficou sem celular por um longo período. Então, trocar um pouco da experiência com ele foi bem legal.

No segundo dia, minha mãe não foi trabalhar, então não senti falta de quase nada. Na quarta-feira, o terceiro dia, já comecei a sentir muita falta das redes sociais. Apesar de ter continuado a usar o YouTube  — que com certeza não tem o mesmo efeito que o IG e o WhatsApp  —, eu realmente senti a abstinência batendo à porta. Foi nesse dia que eu percebi o quanto o uso das redes sociais, por vezes, pelo menos pra mim, está ligado a uma válvula de escape do tédio. A quinta foi um dia tranquilo e, na sexta, limpei a casa como nunca antes. Também foi na sexta que aprendi uma lição muito importante logo depois de ter consertado as prateleiras do banheiro: existem coisas na nossa vida que nos incomodam e que nós procrastinamos resolvê-las. Escreverei mais sobre isso no futuro.

Meus aprendizados

Enquanto cristã, eu entendo que o problema não são as redes sociais, mas o meu coração, que precisa sempre ser questionado e tratado e que determina a forma como eu lido com as redes sociais. Nesses dias de detox, com certeza, isso se tornou ainda mais evidente. Não dá pra pontuar tudo, mas aqui estão os pontos principais.
  1. Percebi que eu coloquei as redes sociais em um lugar na minha vida muito maior do que o necessário.  
  2. Aprendi um pouco mais sobre a necessidade de aprender a dizer não para priorizar o que é mais importante pra mim  — também vou escrever mais sobre isso. 
  3. Também é preciso priorizar também quem é mais importante e íntimo. Eu conheço muita gente bacana e pelo fato de a maioria ser meu irmã ou minha irmã na fé, a vontade de construir relacionamentos é grande, mas não dá para fazer isso. Priorizar aqui é uma decisão difícil, mas necessária.
  4. Eu tenho mais tempo do que imagino, mas não faço uso dele com sabedoria.
  5. Ser grata pelo que eu já tenho, pelo presente, pela minha vida, mesmo que algumas coisas não sejam como eu queria que fosse.

O que eu espero de mim daqui pra frente?

Ser mais presente, mais verdadeira e saber equilibrar o uso das redes sociais para colher o melhor delas. Além disso, eu quero continuar aprendendo a dizer não para o que não é prioridade na minha vida. Esse, com certeza, é um dos meus maiores desafios.




Se você leu até aqui, obrigada. Compartilhe com um amigo ou com uma amiga se você achar que esse conteúdo pode enriquecer a vida de alguém.

Até mais!
Com amor,
Talita.






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