2 de nov. de 2019

Por que começar de novo?



Quem me acompanha há algum tempo sabe que eu já escrevi muito neste blog, tinha muito mais seguidores no Instagram, fazia vídeos e fotografava — e, inclusive, eu fazia dinheiro com esse hobby. Porém, passei por um momento bastante turbulento, que foi quando eu tive uma crise de ansiedade, em 2017. A crise de ansiedade não veio isolada, meses depois fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). A TAG me levou para o lugar mais escuro que eu já estive em toda a minha vida, e, sinceramente, eu não sabia como sair de lá. Felizmente, saí, tendo consciência de que a luta contra a ansiedade não termina da noite pro dia. É preciso, constantemente, continuar cuidando do nosso coração para que as sementes de ansiedade não virem árvores gigantescas. 

Depois disso, claro, eu tive que mudar a maioria dos meus hábitos e, também, em quase todos os aspectos da minha vida. Tomei a decisão de trocar de igreja, que foi, com certeza, a principal e mais difícil de todas, também tive de dar menos importância à universidade e mais para as pessoas ao meu redor. Fiz novos amigos, tranquei meu Instagram por um tempo, fiz um limpa na lista dos meus seguidores e também de pessoas que eu seguia. Fiz consultoria financeira com a Astrid, que tem me influenciado demais até hoje, li muitos livros diferentes do que eu estava acostumada na universidade, comecei a ver séries, me apaixonei por Stranger Things, abri um brechó com uma das minhas melhores amigas, participo de um clube de filosofia com reuniões quinzenais, deixei de ser academicista e fiz várias outras coisas que foram importantes para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.

Apesar de ser muito difícil falar sobre a TAG, ver a minha vida começando do quase que do zero foi importante para que eu me tornasse a pessoa que eu sou hoje, e justamente por conseguir expor um pouco disso é que um recomeço aqui neste blog também é essencial, porque eu não sou mais a menina que escrevia aqui em 2013, 2014... 2017, que não sabia onde queria chegar e nem o porquê exato de alimentar um espaço na intenet. Hoje é diferente e, se eu pudesse voltar no tempo e dar dois conselhos para a Talita daquela época seria: (1) continue fazendo o que você ama, ainda que ninguém veja sentido nisso, mesmo que você só tenha 5 leitores, pois os números não são a parte mais importante de todo o processo, o significado e propósito é que o são, e (2) não tenha medo de se lançar no desconhecido, porque enquanto permanecemos na zona de conforto quase nada acontece e o medo sempre vai estar lá, de certo modo, mas seja corajosa.

Por fim, em resumo, o porquê de começar de novo é simples: apesar de eu ter mudado muito, esse blog é parte de mim e eu não posso esquecer disso. Nunca mais.

Com amor,
T.


13 de fev. de 2019

cada instante vivo


Tenho pensado na eficácia e na necessidade de escrever neste blog, há alguns dias. Parece-me, certamente, necessário. É um fato: perdi algo de mim, nos últimos anos, e encontrei outras partes, também. Sophia de Mello Breyner escreveu que "se tanto me dói que as coisas passem / é porque cada instante em mim foi vivo", e esse é um dos poucos poemas que, nesta vida, decorei, porém, já não sei se concordo tanto, porque já não me dói tanto que as coisas passem, pelo contrário, me dói as permanências indevidas, de lugares, de pessoas. Nesses desencontros e reencontros vividos por aqui, acabei descobrindo que não dá muito pra estudar poesia ser fazer o brilho dela se perder um pouco – porque a poesia é viva, e tudo que é vivo não cabe muito bem em teorias.  

Eu teria sido um pouco mais, se eu não tivesse medo.
Já não faço mais tantos planos, porque a vida sempre me soca o estômago com o incerto.
E agora eu não escrevo mais como outrora – e como é estranho ler meus textos antigos.
Eu sei quem sou, mas ainda não, porque o que eu sou também é permeado de transitoriedades.

Tanto me dói, porque é vivo. Mas ainda bem, pela transitoriedade, pela luz da aurora.
Não sei quem nesta data ainda alimenta blogs pessoais, mas aqui estamos.
Lá vamos nós.
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