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a inevitável transitoriedade


Ontem, para uma disciplina, li um texto do Freud sobre a transitoriedade, fato estranhamente engraçado, pois, durante o feriado prolongado, pude ficar quieta e pensar em muitas coisas. E esse sentimento é tão estranho que não sei lidar, talvez, porque, segundo a visão do Freud, isso está ligado ao luto de perder as coisas e esse sentimento é um dos mais complexos.

Lembro-me de que comecei esse blog em 2013 porque sempre gostei de registrar coisas que, embora simples, pra mim são importantes. Nas redes sociais, até postamos muito, mas tudo se perde tão liquidamente. É só mais um post, só mais uma foto, só mais uma frase... é tudo absurdamente líquido, nos termos do nosso querido filósofo Zygmunt Bauman usaria.

Há vida lá fora e nós não estamos vivendo porque estamos presos às telas dos nossos smartphones, tablets e sei lá o quê mais. A beleza está ao nosso redor e nós sequer conseguimos observar a transitoriedade dela porque estamos completamente presos, essa prisão tecnológica é o contrato da modernidade. Tudo isso me assusta. E me assusta ainda mais saber que as coisas estão passando e eu não estou vendo porque meus olhos estão fixos numa tela. 

Quantos livros deixei de ler, quantos filmes deixei de assistir, com quantas pessoas deixei de conversar por causa de um aparelho eletrônico? Seria impossível contar, mas ainda está em tempo de mudar tudo isso. Todos esses dias de hoje serão história e não quero que minhas memórias sejam apenas lembranças vazias de uma tela. 

Eu não quero mais esse contrato da modernidade como a parte mais importante da minha vida. 

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