her (2013) e solidão



O que mais gosto na arte é o poder de influência que ela tem sobre nós que traz à tona inúmeros pensamentos imersos na nossa memória. Mais do que uma mera imitação, a arte também parece estar sempre um passo à frente do nosso tempo, sobretudo, aquela que os críticos renomados consideram boa arte. 

Assisti Her (2013), do Spike Jonze, há cerca de um mês. Pouco entendo de cinema, mas sei que Her é uma obra de arte, sem o menor vestígio de dúvidas. Eu poderia falar exaustivamente de cada aspecto do filme e, no fim, eu ainda seria muito pouco, pois, desde que assisti, ainda não consegui digerir todos os sentimentos e sensações que a obra me causou. É preciso ver, é preciso sentir, é preciso admirar a paleta de cores, é preciso ouvir cada nota da trilha sonora... (composta por Owen Pallett e Arcade Fire).

Her, que conta a história solitária do Theodore, me intriga e me faz pensar sobre diversas áreas da minha vida, mas, especificamente, nas amizades virtuais que eu cultivei ao longo desses anos. É estranho como conversamos tanto e ainda sentimentos amor (?) por pessoas que nunca palpamos, sequer olhamos nos olhos, não sentimos o cheiro, não tiramos selfies, não tomamos sorvete juntos etc. Por quê? Essa pergunta permeia a minha mente. Será que, por causa da complexidade de compreensão que a vida tem, temos medo de interagir fisicamente com outras pessoas?  

Nessa era tecnológica que vivo, pouquíssimas vezes ao longo desses últimos anos eu conversei por horas frente a frente com alguém e, a cada ano que passa, a cada rede social que chega, menos ainda eu converso. Não só eu, aliás, mas todas as pessoas que eu conheço parecem estar imersos nas suas bolhas tecnológicas, vivendo cada uma na sua solidão disfarçada de posts em redes sociais. E, mais uma vez, eu bato nessa tecla que é o fantasma da minha geração. Talvez eu nunca ache as respostas para os meus questionamentos, mas fico aqui a martelar...

Acabei dando nota 2/5 no Filmow, não porque achei ruim, mas porque fiquei abalada. Vou assistir novamente e, quem sabe, eu escreva novamente sobre as minhas impressões. Pode ser também que eu fique mais triste ou mais feliz ao vê-lo. Não dá pra prever como uma obra de arte vai fazer a gente se sentir...

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