uma vida (nada) moderna


Minha prima ficou uns dias aqui na minha casa, foi comigo tirar fotos de uma prévia de casamento, comemos fast-food e ela estava me fazendo companhia numa das semanas mais corridas que eu tive nas férias. Conviver com crianças é uma experiência muito diferente pra mim e esses dias com a minha prima me deixaram bastante reflexiva.

Eu passo uma boa parte do meu tempo sozinha, sem diálogos, sem pessoas me mandando fazer as coisas etc. Os dias que a minha ficou aqui foram muito diferentes porque ela estava totalmente sob minha responsabilidade, eu tinha que fazer comida, mandar ela tomar banho, organizar as coisas, tava sendo uma mamãe pra ela. Hahaha. Ter companhia em casa por mais de 48h é muito estranho pra mim, ainda mais quando eu tenho que dizer pra ela fazer as coisas. O detalhe é que ela é uma criança super fofa e não dá o menor trabalho.

O que me deixou realmente pensativa é que, por causa da vida moderna, temos passado pouquíssimo tempo com as nossas famílias e com os nossos amigos. São 8 horas no trabalho, 3 no transporte público (olá, cidade grande), 4 horas na faculdade, chegamos em nossas casas cansados, dormimos e no outro dia temos que repetir todo o processo. Isso que é, de fato, viver, ser adulto? Vida moderna é não ter tempo pra ficar com as pessoas que a gente ama, fazer as coisas que a gente quer...? É claro que a gente precisa trabalhar e ter as nossas coisas, mas isso não é a coisa mais importante das nossas vidas. 

"Também vi outra tolice, que acontece em todo o mundo. É o caso daquele homem que vive completamente sozinho, sem filhos ou irmãos ou parentes, mas que vive trabalhando para ajuntar mais dinheiro. Para quem ele vai deixar tudo o que juntou? Por que ele está deixando de aproveitar as coisas boas da vida? Isso não adianta nada e desanima a gente." (Eclesiastes 4.7-8)

Não tem nada de moderno nessa vida que o mundo tenta colocar na nossa cabeça! Há centenas (ou milhares?) de anos atrás a Palavra já nos alertava que viver em prol do trabalho, em prol de juntar riquezas é uma perda de tempo se não soubermos priorizar o que é realmente importante. Eu não quero ter que passar mais da metade da minha vida dentro de uma empresa, num escritório sem fazer coisas realmente importantes e que possam fazer alguma diferença na vida das pessoas. Não somos robôs para ficar repetindo processos, somos pessoas, mas, infelizmente, o sistema parece que nos vê como robôs. Somos obrigados a ter um bom status, ter um carro bonito, um celular caro, roupas de marca... pra quê mesmo? Para chegarmos ao fim da vida e percebermos que estávamos competindo uns com os outros numa corrida que tem o mesmo fim para cada um de nós? 

Que nesse curto espaço de tempo que chamamos de anos, que saibamos, de fato, viver e não apenas sobreviver. 

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