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cada instante vivo


Tenho pensado na eficácia e na necessidade de escrever neste blog, há alguns dias. Parece-me, certamente, necessário. É um fato: perdi algo de mim, nos últimos anos, e encontrei outras partes, também. Sophia de Mello Breyner escreveu que "se tanto me dói que as coisas passem / é porque cada instante em mim foi vivo", e esse é um dos poucos poemas que, nesta vida, decorei, porém, já não sei se concordo tanto, porque já não me dói tanto que as coisas passem, pelo contrário, me dói as permanências indevidas, de lugares, de pessoas. Nesses desencontros e reencontros vividos por aqui, acabei descobrindo que não dá muito pra estudar poesia ser fazer o brilho dela se perder um pouco – porque a poesia é viva, e tudo que é vivo não cabe muito bem em teorias.  

Eu teria sido um pouco mais, se eu não tivesse medo.
Já não faço mais tantos planos, porque a vida sempre me soca o estômago com o incerto.
E agora eu não escrevo mais como outrora – e como é estranho ler meus textos antigos.
Eu sei quem sou, mas ainda não, porque o que eu sou também é permeado de transitoriedades.

Tanto me dói, porque é vivo. Mas ainda bem, pela transitoriedade, pela luz da aurora.
Não sei quem nesta data ainda alimenta blogs pessoais, mas aqui estamos.
Lá vamos nós.

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