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a primeira chuva do ano


Em meados de agosto e setembro de 2015, eu conheci o trabalho da Andrea Marie. O Here Begin, primeiro álbum de estúdio da cantora é um dos melhores álbuns que já ouvi e, depois que fiquei sabendo um pouco mais sobre como foi produzido, gostei mais ainda. É sempre uma grande alegria tirar um tempinho para ouvir novamente o Here Begin

No meu aniversário de 15 anos ganhei um teclado, um desses PSR da Yamaha, bem de iniciante. Aprendi umas coisas na internet e toco na igreja desde então, só que nunca me conformei em saber tão pouco e não conseguir tocar algumas músicas mais difíceis. Depois de aprender a gostar de música clássica, depois de ouvir inúmeras vezes o primeiro álbum da Daniela Araújo e, finalmente, conhecer o trabalho da Andrea Marie, eu cheguei à conclusão de que não dava mais: eu precisava estudar música.

Tentei o sorteio na escola de música - para cello -, pesquisei várias escolas particulares, professores particulares, mas nada realmente estava me agradando. Eu não queria um professor de teclado, eu queria um professor de piano, mas não um professor qualquer, tinha que rolar um sentimento artístico. Até que, num dia calmo, na segunda semana de março, vi um anúncio totalmente inesperado no Facebook: abri a página e... Tudo branco, preto e cinza. Wow! Uns traços num sketchbook. A trilha sonora de um filme que eu tinha visto há poucos dias. Abri o vídeo. Um cenário minimalista para Opus 37 e Arrivals n.2, do Dustin O'Hallaron. 

O que era aquilo? Eu não vi apenas alguém tocando piano num cenário meio minimalista, eu vi arte! E era exatamente o que eu estava procurando, como se eu tivesse feito um desenho e ele tivesse criado vida - mas, juro, não desenhei nada, eu só orei. 

Lembro-me de ter pensado muito a respeito das aulas na noite daquele dia. Um final de semana passou e, por fim, decidi mandar mensagem - toda tímida. Marquei a aula experimental para a terça, se não me engano. Acabou que a aula foi parar quinta. Seria na tarde de quinta, mas choveu, e as primeiras chuvas do ano aqui em Brasília são para compensar as longas semanas sem chuva. A aula, por fim, foi na terça, 8 de março, à noite.

Eu nem sabia por onde começar direito. O piano parecia que ia me engolir a qualquer momento, aquelas teclas pesadas, o som diferente do que eu estava acostumada, eu não sabia lidar com o peso dos pedais, deixava os ombros tensos... e o professor, bom, começou a me corrigir nos mínimos detalhes e a criar um plano de estudos para mim em menos de 30 minutos. Eu nem sabia muito bem como reagir. Fiquei feliz! A aula acabou, e tinha sido linda, mesmo sendo curta. 

Saí e ainda chovia. A L2 engarrafada por causa da chuva, mas o maior caos era dentro de mim com tantos sentimentos pós-aula experimental de piano. Coloquei os fones e comecei a caminhar em direção à rodoviária - nem sei quantos quilômetros. Eu comecei a chorar, porque quando eu não sei se estou feliz ou triste eu choro. Chorei, ri um pouco também, banhei na chuva, e, sobretudo e o mais importante, tinha achado aula de piano perfeita.

3 comentários:

  1. coisa linda de se ler! <3
    adorei o relato. faça outros como esse! :)

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  2. que simplicidade maravilhosa, sinto muito falta disso no dia-a-dia.

    https://nicoledeantunes.blogspot.com.br/

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