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la douleur

foto por: Yanzi
o tempo já doeu em mim muitas vezes, mas algumas vezes acabam sendo um choque maior do que o outro. como, por exemplo, quando minha prima faleceu em 2001, e eu tive que aceitar aos 6/7 anos de idade o fato de que eu nunca mais veria uma pessoa que fez parte da minha infância. algumas vezes lembro de como essa sensação é horrível. uma parte da minha vida que foi engolida pelo tempo e nunca mais volta. mas isso acontece todo dia. tudo, exatamente tudo terreno, se esvai com o tempo, momentos viram memórias, memórias, assim como nós, se tornam pó, se tornam só um passado existente na memória de ninguém. tenho pouquíssimas lembranças dela e, infelizmente, sei que com o tempo serão essas lembranças serão cada vez menores. o tempo me assusta muito mais do que vocês imaginam.

talvez esse susto que o tempo insiste em me dar seja uma das razões pra eu gostar tanto de coisas antigas, pois antes as pessoas tinham mais tempo pras coisas mais simples. no fundo acho que eu só quero viver a intensidade das coisas, desacelerar o tempo, tornar as brevidades um pouco mais longas. mas eu não tenho esse poder. desacelerar o tempo. quando é que as coisas ficaram tão rápidas a ponto de as pessoas não conseguirem mais escolher uma música preferida, escutar o CD todo, ouvir os sentimentos escondidos nos silêncios, observar o pôr-do-sol sem precisar postar no instagram, olhar nos olhos por mais de 15 segundos... quando? quanto tempo! até os blogs estão perdendo os acessos porque as pessoas preferem vídeos ao invés de pararem pra ler os sentimentos formados pelos conjuntos simplórios de palavras existentes nesses domínios internet. o tempo parece estar acelerado, mas não chega a lugar algum. sempre correndo atrás de algo que nunca se encontra.

eu queria falar tantas coisas, mas simplesmente não consigo. mas o principal é que o tempo, em mim, continua a doer. ele continua a me mostrar as coisas sem que eu queira, mas basta olhar para o fim do dia de hoje e nada mudou, mas olho pro ano passado e uma vida já aconteceu sem que eu nem percebesse...

a linda flor caiu / e o beija flor não a beijou mais / outono passou para o inverno chegar / mamãe que virou vovó / e o filho que tornou-se pai / o ponteiro do relógio que não para / e as folhas do calendário / estão a passar / estão a passar

este é o tempo / assim é o tempo, que se passa / este é o tempo / que une e afasta

[...] e o tempo está a passar

o tempo me assusta demais.

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